Lanhoso está a envelhecer

Nos últimos dez anos, o concelho da Póvoa de Lanhoso perdeu 929 residentes. A par disso, as Terras da Maria da Fonte têm, neste momento, menos 1304 indivíduos com menos de 18 anos, face a 2001.


Estes são alguns dos dados dos Censos 2011, cujos resultados preliminares foram divulgados, na tarde de anteontem, na Casa da Botica, na Póvoa de Lanhoso.
Só em final de Junho ou início de Julho é que são conhecidos os resultados definitivos, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística que, por sua vez, fará o respectivo tratamento estatístico.
Os Censos 2011 representam o 15.º recenseamento da população e o 5.º recenseamento da habitação, em termos nacionais. Quantos somos, como somos, onde vivemos e como vivemos são algumas das respostas obtidas com o recenseamento da população, naquela que é a maior operação estatística em qualquer país do mundo civilizado, conforme fez referência Armando Fernandes, vereador da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso.
“Os seus resultados assumem grande importância para o conhecimento da população e do parque habitacional. Esta informação censitária é determinante para que os governos centrais, regionais, autarquias locais, empresas e outras entidades públicas e privadas possam definir metas e estratégias relativamente à sua acção”, referiu Armando Fernandes.
“No caso concreto da Póvoa de Lanhoso, iremos olhar para estes resultados como um importante instrumento de diagnóstico, de planeamento e de intervenção em vários domínios. Permitir-nos-á planear os investimentos na educação, na cultura, na colocação da rede de abastecimento de água e saneamento e na construção de equipamentos públicos”, destacou ainda aquele responsável.
“Não olhar para estes resultados como um importante instrumento de gestão seria uma irresponsabilidade”, salientou o vereador Armando Fernandes, considerando esta como um ferramenta para gerir o concelho de forma mais precisa e mais consistente.
Relativamente ao concelho da Póvoa de Lanhoso os Censos 2011 tiveram um custo que ultrapassou os 55 mil euros.
Naquele momento, Manuel Baptista, presidente Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso outorgou os resultados preliminares e mostrou-se preocupado com a perda de população residente, assim como com os limites territoriais das freguesias de Garfe e Santo Emilião.
“Isto é uma radiografia para nós trabalharmos e para termos a noção de como está o concelho”, referiu o presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, denotando alguma preocupação quanto ao número de casas vazias no concelho, que atingem as 4358 habitações.

Respostas pela internet bateram recorde

Algumas freguesias do concelho atingiram os 100% no envio dos questionários via internet. A grande maioria conseguiu atingir valores acima dos 93%. O concelho da Póvoa de Lanhoso destacou-se, a nível nacional, pelo número de entregas via internet.
“Tivemos uma taxa altíssima de respostas pela internet. Tivemos seis freguesias do concelho que atingiram uma taxa de 100%, sendo que as restantes, exceptuando três que ficaram nos 70%, situaram-se acima dos 90%”, explicou Carla Melo, responsável concelhia pelos Censos 2011, que destacou o empenho dos recenseadores, coordenadores, presidentes da Juntas de Freguesia e Câmara Municipal.


Alguns números

Actualmente, a Póvoa de Lanhoso conta com 21905 indivíduos residentes. Os 5680 menores de 18 anos, em 2001, passaram para os 4376.
“Acredito que a emigração de muitos dos nossos jovens tenha contribuído para que a população residente tenha diminuído. O fecho da empresa Lear, em Fontarcada, há alguns anos atrás, não terá sido alheio a este facto”, explicou o vereador Armando Fernandes.
As freguesias de Sobradelo da Goma, Serzedelo, Garfe, Galegos, Esperança, Travassos, Fontarcada e Santo Emilião foram as freguesias que registaram uma maior quebra na população residente.
“Nota-se um progressivo aumento da migração das freguesias para o centro da vila”, deu ainda a conhecer Armando Fernandes, explicando que, algumas das perdas nas freguesias derivam duma concentração na vila.
Apesar da diminuição do número de residentes, registou-se um acréscimo no número de edifícios, que se situam, actualmente, nos 9750, sendo os alojamentos familiares na ordem dos 11771, mais 1299 que em 2001. O número de famílias clássicas situa-se nos 7413, mais 561 famílias que em 2001. Um número preocupante diz respeito a casas vagas, que atingiu as 4358 habitações.
Regista-se, assim, um acréscimo no número de alojamentos familiares, no número de famílias clássicas e no número de edifícios, mas um decréscimo de residentes. Regista-se um acréscimo no número de famílias sem filhos ou com um só filho.

04-06-11 - Correio do Minho

Sem comentários:

Enviar um comentário